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Num determinado momento do aqui e agora: a distinção entre o existente na nossa realidade; o possível de existir, caso se faça isto ou aquilo outro; e o inexistente. Saudável percepção, sem ilusões, inverdades e sofrimentos vãos. Uma verdade existencial: a realidade é mutável, impermanente, e depende de inúmeros fatores. O que não pode faltar em um caminho escolhido: amor e amor próprio.

 

  
 


 

 

 

Dharma para Mulheres

 

O Fluir da Virtude e da Retidão 

Dharma Vahini 
 
Organização Sri Sathya Sai do Brasil 
www.sathyasai.org.br
 
Sathya Sai Baba
 
 

O Dharma das Mulheres

 

 
O Dharma é... 
Dharma é a senda da moralidade; a senda da moralidade é a Luz; a Luz é a bem-aventurança (ananda). Dharma é caracterizado pela santidade, paz, verdade e firmeza moral. Dharma é yoga, União, Fusão; é a Verdade (Sathya). Seus atributos são justiça, controle dos sentidos, senso de honra, amor, dignidade, bondade, meditação, simpatia e não-violência; este é o dharma que persiste através dos tempos. Ele nos conduz ao Amor Universal e à Unidade, sendo a mais elevada e proveitosa Disciplina. Toda essa “revelação” começou com dharma; tudo isso é equilibrado por sathya, que é inseparável do dharma. Sathya é a lei do Universo, que faz o Sol e a Lua girar em suas órbitas. Dharma são os Vedas e os mantras, a Suprema Sabedoria (jñana) que eles nos transmitem. Dharma é o rumo, o caminho, a lei. Onde houver aderência à moralidade, pode-se ver a lei da verdade (Sathya dharma) em ação. Também no Bhagavad é dito – “onde houver dharma, haverá Krishna; onde houver dharma e Krishna juntos, haverá Vitória”. Dharma é a própria encarnação do Senhor; sendo o mundo, o próprio corpo do Senhor; o mundo é apenas outro nome para a Ordem Moral, o que ninguém poderá negar hoje ou em qualquer época.
 
Rosana - O Dharma é a missão de cada ser, específica e de acordo à própria natureza individual essencial. A retidão do caminho individual. 
 
Rosana - O que está em meu caminho compartilhar espiritualmente como mulher? Vale o estudo e a improvisação, mesmo não sendo esposa ou namorada, certamente mulher por nascimento e destino nesta vida, em todos os momentos. Se namorada e esposa fosse com alegria e amor, compartilharia desse estudo, por exemplo, e naturalmente faria as observações que pudessem interagir com carinho, experiências, conteúdo e ideias. Que se faça útil e interessante para quem venha a ler essas linhas. Sai Baba foi e tem sido meu Pai Espiritual, portanto com Ele sigo a minha linha, a senda. Se estou sozinha a tanto tempo, o que significa ser mulher, seja qual for a época ou a fase da vida? Boa pergunta, considero, para a resposta de Om Iluminado. 
 
As principais orientações para se viver
Dessa forma, o principal dharma para o progresso prático do mundo é o comportamento e a conduta moral daqueles dois (o Masculino e o Feminino); tudo o que qualquer grande professor possa ensinar não poderá ir além daquelas duas naturezas distintas. O Purusha dharma para os homens e o Stri dharma para as mulheres são importantes aplicações do Sathya dharma anteriormente mencionado. Os outros códigos e disciplinas são apenas acessórios, tributários como os afluentes que se encontram com o rio principal ao longo de seu curso, sendo relacionados com diversas circunstâncias, situações e condições que são temporárias. Você deve prestar atenção ao rio principal e não a seus afluentes; do mesmo modo, tome os principais dharma masculino e feminino como linhas mestras da vida e não dê nenhum lugar decisivo em seu esquema de vida para os dharma acessórios menores. 
 
Rosana - Poderia começar o estudo com o dharma dos homens, porque para Deus tanto faz, mas sendo mulher, e na minha atual condição familiar de mulher solteira, filha e irmã, estou preferindo o dharma da mulher, ou seja, privilegiando a minha própria necessidade de ser a mim mesma, enquanto mulher presente no mundo em seu caminho espiritual, com as principais orientações para bem viver. 
 
Dharma para mulheres
Diz-se que o Princípio Feminino é como a ilusão imposta pelo Senhor a Si mesmo, ou como a Energia com a qual Ele provém de si mesma pela Sua própria vontade. Isso é maya, a Forma Feminina. Esta é a razão porque a Mulher é considerada como a natureza própria e essencial da energia cósmica universal (Parasakthi svarupa). Ela é a fiel companheira do Homem, a sua Fortuna. Uma vez que ela é a concretização da Vontade do senhor, ela é Mistério, Maravilha, a representação do Princípio protetor, a Rainha do lar, sua beneficência, a Iluminação da casa. As mulheres, que são a personificação da energia (Shakti svarupa) de modo algum são inferiores; a sua natureza é cheia de firmeza moral, paciência e Amor (prema)! Seu autocontrole é raramente igualado pelo homem. Elas são os exemplos e os guias para os homens trilharem a senda espiritual. O amor puro e não egoísta é inato nas mulheres. As mulheres, que são cheias de conhecimento, que são educadas, que são orientadas pelo amor e que têm grande entusiasmo por discernirem suas palavras e ações, estão em conformidade com o dharma – tais mulheres são como a Deusa Lakshmi, trazendo alegria e boa sorte para o lar. Esse lar, onde o marido e a esposa estão ligados um com o outro através do amor sagrado, onde diariamente ambos se ocupam com a leitura de livros que alimentam a alma, onde é cantado o Nome do Senhor e Sua Glória recordada, esse lar é na realidade o Paraíso – Vaikunta! A mulher ligada ao seu marido por intermédio do Amor é de fato uma flor irradiando um raro perfume; ela é uma pedra preciosa, derramando brilho sobre a família; uma mulher virtuosa é realmente uma joia resplandecente. 
 
Rosana - Penso, de fato, que as mulheres são mais autocontroladas que os homens. Penso sim, que são orientadas pelo amor e apreciam bastante discernir palavras e ações. Neste mundo, até agora, desconheço a experiência própria onde o lar seja lugar onde marido e esposa estão ligados um com o outro através do amor sagrado, sendo solteira, mas penso conceber no íntimo esse lar ideal, esse Paraíso de alegria que Sai Baba menciona. Existe esse lar, sim. Certamentre leria livros sagrados para alimentar a alma e faria os comentários, interagindo com o namorado, o marido, o amor, buscando aprender e acrescentar, também pensando segundo as palavras e as ideias do homem, mantendo a senda de luz, atenção e carinho.  
 
Castidade
A castidade é o ideal para o sexo feminino. Pela força derivada dessa virtude, elas podem conseguir qualquer coisa. Savithri foi capaz, através desse poder, de recuperar a vida de seu marido; ela de fato lutou com o Senhor da Morte. Anasuya, a mulher do sábio Athri e mãe de Dattatreya, era capaz de transformar mesmo a Trindade em crianças. Nalayani, que se dedicou a seu marido leproso, poderia através da misteriosa força de sua castidade parar o sol em sua trajetória! A castidade é a suprema joia das mulheres. Essa é a virtude pela qual ela deve ser mais louvada; os benefícios dela provenientes desafiam qualquer descrição, sendo o próprio alento de sua vida. Através de sua castidade e do poder que esta lhe confere, ela pode salvar não só seu marido do infortúnio, como a si própria por suas virtudes e vitórias, e sem sombra de dúvida até o céu. Damayanthi queimou até reduzir a cinzas pelo poder de sua “palavra” um caçador que tentou molestá-la. Ela suportou todos os esforços de sua vida solitária na floresta, quando o seu marido, o Rei Nala, repentinamente a deixou, vítima de um destino cruel. 
 
Rosana - Solteira, sozinha e celibatária, porque só. Abandonada não fui. Destino. Um dia, mesmo o destino muda, porque tudo é impermanente e transitório. Há esta vida em percurso e há as próximas. Castidade é importante para uma mulher, porque desejos vãos e vazios são, de fato, insuportáveis e ameaçadores, e nada preenchem, pois trazem tristeza, tédio. Há sempre a melhor escolha dentre as alternativas viáveis e disponíveis. Sem amor não há sentido para preencher o vazio com outro vazio mais profundo. Amor é a prioridade e o caminho do coração e da coragem de assumir esse caminho do ser. A mulher da história suportou todos os esforços de sua vida solitária na floresta. Ela? Não é fácil este estudo e prática sobre o dharma da mulher, no meu caso, e no caso de tantas mulheres sozinhas assim como eu. Sempre agradeço os ótimos pais que tenho. Converso com a mamãe e agradeço pelo carinho, atenção, conversa e sua tão boa presença amiga. 
 
 
Modéstia
A modéstia é essencial para a mulher, sendo sua joia inestimável. A mulher estará indo contra o dharma ao ultrapassar os limites da modéstia, o que pode acarretar muitas calamidades em virtude da destruição da própria glória do sexo feminino. Sem a modéstia, a mulher é desprovida da beleza e da cultura. Humildade, pureza de pensamento e de costumes, docilidade, entrega a ideais elevados, sensibilidade, doçura no temperamento – a mistura peculiar de todas essas qualidades é a modéstia. Para as mulheres, é a mais valiosa de todas as joias. Uma mulher modesta se manterá sempre dentro de certos parâmetros, estabelecidos pelo senso de decoro, nela inato. Ela automaticamente se torna consciente de que determinado comportamento é ou não é apropriado, aderindo somente a ações ou comportamentos virtuosos. A modéstia é o teste da grandeza de uma mulher. Caso ela não tenha modéstia, estará ferindo os próprios interesses do sexo feminino, além de solapar a sua própria personalidade. Ela é como uma flor sem aroma, que o mundo não trata com carinho ou respeito, ou mesmo aprovação. A ausência de modéstia transforma a vida de uma mulher num desperdício e num vazio, mesmo que esta seja rica em outras realizações. A modéstia a transporta para as alturas da sublime santidade. A mulher modesta exerce autoridade no lar e fora dele, tanto na comunidade como no mundo. 
 
Alguns poderão interromper, afirmando: “atualmente, as mulheres que reprimiram todos os escrúpulos da modéstia estão sendo dignificadas! Elas se pavoneiam, com suas cabeças erguidas, e o mundo não as diminuirá nem um pouquinho”. Eu não necessito me familiarizar com essas atividades no mundo atual; com elas eu não me envolvo. As mulheres podem estar recebendo honrarias e respeito dessa espécie, mas esse respeito não é autorizado ou merecido. Quando um serviço inferior é honorificado, tem-se o equivalente a um insulto: a aceitação significa degradar um presente valioso. Isso não é uma honraria, mas uma bajulação que é lançada ao imodesto pelo egoísta e pelo ganancioso. É como uma cusparada suja e desagradável. Evidentemente, a mulher modesta não implorará por elogios ou homenagens. A sua atenção estará sempre dentro de certos ditames, os quais ela não violará. Para ela, elogios e homenagens vêm de uma forma desapercebida e não solicitada. O néctar na flor não implora pelas abelhas, mas também não entra em conflito com elas. Assim que elas tiverem provado a sua doçura, passarão a procurar e a afluir para as flores. As abelhas vêm em virtude da ligação existente entre elas e a doçura. Assim também é o relacionamento entre a mulher que conhece os parâmetros e o respeito que ela evoca. Caso um sapo sente sobre uma flor de lótus e proclame esse fato ao mundo, será que isso significa que ele sabe ou experimentou o valor da beleza e do aroma dessa flor? Ele pode tratar a flor com carinho, mas será que pelo menos reconheceu o que ela contém? As homenagens e o respeito dados à mulher hoje em dia são desse tipo, proporcionados por pessoas que desconhecem o que, e como apreciar. Elas não conhecem os padrões de julgamento, não têm fé nos valores finais e não respeitam o que realmente é bom e grandioso. Como podemos chamar aquilo que elas oferecem como sendo “homenagem” ou “respeito”? Só poderemos chamar isso de “enfermidade”, ou na melhor das hipóteses, “etiqueta”. Os princípios do Atma dharma não permitem a aplicação do termo “mulher” a uma “mulher sem modéstia”. O acúmulo de respeito e homenagens a uma pessoa que não segue o Atma dharma equivale ao acúmulo de enfeites em um corpo sem vida. A alma que deixou esse corpo não pode usufruir o respeito a ele demonstrado. Igualmente, se uma pessoa que não tem consciência da Realidade ou não experimentou o objetivo da personificação do Atma seja honrada com fama e glória, quem obtém alegria disso tudo? A mulher modesta não se importará com esse entulho vistoso; ela procurará de preferência o auto-respeito, que é muito mais gratificante. Essa é a característica que fará dela a Lakshmi (a deusa da fortuna e do bem-estar, consorte de Vishnu) do Lar. Essa é a razão de se referir à mulher como Grihalakshmi, a deusa protetora do lar. Caso a mulher não tenha tal característica, o lar se torna o domicílio da feiúra e não da beleza. 
 
Rosana - O bom senso é a alma da modéstia, acredito, num planeta onde sabemos tão pouco em relação ao já conhecido, e tão pouco podemos oferecer e compartilhar do pouco de dentro da gente. O mundo é complexo demais para alguém se perceber como não modesto. Somos modestos em nossa atuação. Sensatez pela diferença miúda de nossa presença, ações e existência. Se não fosse Deus e Sua criatividade, seríamos substituíveis. Deus nos diferencia e nos coloca no prumo, na senda, sem a perda desnecessária de potencial e recurso, que, de algum modo, podem ser úteis a mais alguém. O ser criado e o ser manifesto simplesmente é. Não está visando nada a parte de milhar de um grão de areia. 
 
A mulher: o amparo do lar e da religião
A mulher é o suporte do lar e da religião. Ela cultiva e promove a fé religiosa ou a esgota e a erradica. A mulher tem uma aptidão natural para a fé e para o empenho espiritual.
 
Rosana - Que responsabilidade! Sem a mulher a religião, a fé e o empenho espiritual declinam.
 
Uma mulher com devoção, fé e humildade leva o homem para o caminho que conduz a Deus, pela prática das virtudes sagradas. Elas acordarão mais cedo, antes da aurora, limparão a casa e após terminar a sua higiene pessoal, sentarão durante um certo tempo para as práticas espirituais e a meditação (japa e dhyana). Elas terão em seus lares um pequeno cômodo exclusivo para a adoração do Senhor; nele colocarão a imagem do Senhor e desenhos de gurus, guias e santos sábios. Esse cômodo será por elas muito sagrado e terá a sua atmosfera preenchida pelas suas orações não só matutinas e vespertinas, como nos dias santos e nos festivais. Uma mulher que se dedique sempre a essas atividades estará apta a mudar até o seu marido ateísta, convencendo-o a participar das orações, a se engajar numa boa atividade ou em algum esquema de serviço social marcado pela atitude de Dedicação ao Senhor. De fato, é a mulher que mantém o lar; essa é a sua missão. Ela é verdadeiramente a representante da força divina (shakti). Por outro lado, se a mulher tentar desviar seu marido do caminho que o leva a Deus, do nível espiritual para o sensual, ou se o marido trata a sua mulher que está disposta a procurar a felicidade em seu esforço espiritual como uma pessoa que segue o caminho errado, tentando afastá-la desse caminho, ambos terão um lar que não será digno desse nome, sendo de fato o próprio inferno, onde fantasmas e espíritos malignos se divertirão. Verdadeiramente, a mulher deveria se esforçar para obter o conhecimento da Alma e viver cada momento na consciência de que nada mais é que o Atma; ela sempre deve demonstrar o desejo de vir a se unir com a Divina Consciência. O lar onde a mulher assim se comporta e onde o casal orienta as suas vidas à luz dos grandes ideais, onde ambos cantam a glória do Nome do Senhor e se dedicam a boas ações, onde reina a Verdade, a Paz e o Amor e é feita a leitura regular dos livros sagrados, onde os sentidos estão sob controle e é dado um tratamento igual para toda a criação inspirado pelo conhecimento de sua unidade fundamental, esse Lar é sem dúvida nenhuma o Paraíso na Terra. 
 
Uma mulher com tais características é uma mulher digna de seu nome. Ela deve sentir amor verdadeiro por seu marido, e somente desse modo poderá ser chamada de esposa, senhora da casa ou grihini. Só assim ela é Dharma pathini – a esposa legítima, bharya – a dona da casa, o Instrumento e a Companhia para o dharma, artha - o enriquecimento e kama - a paixão. Ela, que conhece a mente de seu marido e com ele fala doce e suavemente, é a sua verdadeira amiga. Algumas vezes, quando a esposa tem de indicar o caminho do dharma para o marido, ela faz o papel mesmo de um Pai! Quando o marido está abatido pela doença, ela é a Mãe! A mulher deve primeiro concordar em servir seu marido; essa é a Verdadeira Adoração para ela. As suas orações, rituais e adorações podem esperar. Sem servir a seu marido ela não poderá alcançar a Bem-aventurança na adoração ou na meditação. 
 
Rosana - Amor verdadeiro no coração é o que há de mais digno e autêntico em uma mulher. Nada pode substituí-lo, ocupando o seu lugar sagrado na vida. Sem amor, a vida perde o sentido. Isso independe de estar ou não se relacionando, ainda que o estado amoroso e até o de estar apaixonada seja presente. As experiências do passado elas ficam, enquanto as circunstâncias mudam. Já o amor ele preenche a alma e a existência, e nos diz no fundo o quanto estamos dispostos a compartilhar e recebermos o que nos é oferecido a cada momento. 
 
De fato, o Senhor deve ser exaltado através da figura do seu marido e todo o serviço a ele realizado deve ser elevado ao nível de adoração; esse é o caminho do genuíno dever. Se toda a ação for feita como um ato de amor ao Atma e sua fusão com o Paramatma (o Supremo Atma), a atividade então se torna dedicação ao Senhor. Todos esses atos salvam, eles não nos prendem. 
 
Rosana - O amor a um companheiro de jornada ele existe hoje, independente de haver ou não um homem específico e querido, porque existe em potencial a capacidade de amar, de desejar a felicidade e a alegria. O amor está sempre presente. 
 
Não importando se o marido for ruim ou vulgar, a mulher deve, através do amor, corrigi-lo e policiá-lo, ajudando-o a ganhar as bençãos do Senhor. Não é correto achar que somente o progresso dela importa e que ela não tem obrigação com a melhoria ou a elevação dele. Por outro lado, ela deve sentir que o bem-estar, a alegria, os desejos e a salvação de seu marido são também para ela o remédio para todos os males. Tal mulher receberá automaticamente e sem esforço especial a Graça do Senhor, oferecida para ela em abundância; O Senhor estará sempre ao seu lado e com ela será generoso de todas as maneiras. Pela sua virtude, ela assegurará a salvação de seu marido. 
 
Rosana - Os estudos espirituais não são a tônica hoje em dia. Um homem que aprecie escrituras espirituais, idas a locais de meditação, músicas devocionais, estudos, é raro. É rara a receptividade no sentido espiritual. Tal afinidade, embora não seja a única importante, considero uma bênção, sem dúvida. A meu ver, basta a receptividade, o apreciar tais qualidades numa mulher, que o restante flui de forma harmoniosa e agradável. 
 
Educação para mulheres 
A educação é necessária tanto para o homem quanto para a mulher. A da mulher, no entanto, deve estar de acordo com as suas necessidades específicas. As mulheres educadas são de fato as promotoras do dharma para o mundo inteiro. Os pais também devem cooperar para que elas sejam dotadas de uma educação apropriada. Não deveria ser dada liberdade às mulheres em determinados assuntos. Eu não aprovarei a concessão a elas de tal liberdade. Elas devem ser transformadas em mulheres ideais, sendo a sua educação moldada para tal. A liberdade desenfreada é a destruidora do dharma, e isso também prejudica as próprias mulheres. A mistura na sociedade sem nenhuma discriminação irá produzir resultados ruinosos. Evidentemente havia também mulheres educadas no passado, mas elas jamais abandonaram os seus dharmas e nunca esqueceram dos objetivos do Atma dharma. Vidya ou Educação deve ser construída com base em viveka ou Discernimento. Sulabha, Savithri, Anasuya, Gargi, Nalayani e outras, todas modelos de castidade, devotas do Senhor como Mira, yogis como Choodala, todas nasceram nesta Índia (Bharatadesa) e pela sua adesão ao dharma fortaleceram o próprio dharma.
 
Certa vez, quando Sulabha estava discursando sobre o Atma com toda a sua erudição e experiência, mesmo Janaka (rei sábio e pai de Sita, consorte de Rama) ficou estarrecido! É através do exemplo dessa grande e santa mulher, com o seu caráter e conduta inspirados por devoção e sabedoria espiritual, que mesmo hoje a simplicidade, a humildade e a devoção brilham nos corações das mulheres indianas. As mulheres de hoje deveriam nelas se inspirar; deveriam se esforçar para viverem como aquelas do passado. A mulher hindu deve sempre ter acima de tudo como guia o ideal do dharma e o progresso na disciplina espiritual. Ela poderá dominar qualquer assunto relacionado com o mundo objetivo que esteja hoje em evidência, mas o bem-estar espiritual não poderá ser esquecido; ela deverá se interessar pelo estudo do Vedanta que cultiva a Visão Interior. Uma mulher sem este treino é como uma pedra sem apoio, um perigo para ela e para as demais, um indivíduo muito desequilibrado. Sulabha e outras possuidoras de tais estudos tornaram-se Brahmavadin (expositoras do preceito de Brahman ou dos Vedas) bastante afamadas. A Índia produziu, como essas, diversas santas e eruditas entre as mulheres. Os sábios (pandits ou vidvans) aproximam-se de tais mulheres por inspiração e orientação. 
 
Rosana - Aprecio estudar para técnico de meio ambiente no momento atual. Sempre tive oportunidade de estudar nessa vida e a Deus agradeço a oportunidade. Não há nada mais importante que a espiritualidade, porque todo o existente é uma derivação de Deus e Suas criações. O lado espiritual é prioritário em relação a tudo que existe. Sinto falta mesmo assim... Por mais que trabalhe ou estude ou isso ou aquilo outro. Nasci mulher e com temperamento feminino. Sinto. Simplesmente sinto. Faço as consultas que me pedem com agrado e satisfação. Ajudo problemas alheios. Já o tempo, ele passa e deixa o seu abraço ao redor. A vida quis assim. Nem sempre é uma escolha. Nem sempre faz parte de uma vontade intrínseca dos atos. Flui o barco. Ele navega em águas calmas por agora. A correnteza segue tranquila. O barco e o seu fluxo. A cidade mudou. A paisagem transformada. O cheiro de flores branquinhas. Perfume forte e bom. Lágrimas conhecidas. Solidão. Casa bonita e confortável. Um pouco descrente do que virá. Os olhos esfumaçam. O barco e o seu guia. Ele veio, o Sai Baba. Trocou palavras. Se aproximou e deixou saudades em agosto. Um Mestre, um Pai. Disse que estou em recuperação. É o Homem que conheço. Desejo o bem. Que todos os seres sejam felizes e saudáveis. Agradeço a mãe e o pai bons. O irmão está feliz, feliz, bonito. Conseguiu chegar lá e se acolher. 

O progresso está baseado na educação adequada para as mulheres 
No que se baseia o progresso? O progresso da nação, da comunidade e da família depende de uma educação adequada da mulher. O país pode ser elevado à sua grandeza original somente através das mulheres dominando a ciência da compreensão da Realidade (Atma vidya). Para que a nação tenha paz e prosperidade duradouras, as mulheres devem ser preparadas por um sistema educacional que dê ênfase às qualidades e a conduta moral. A negligência na educação das mulheres é a causa da presente queda nos padrões morais e na ausência de paz social. O céu e a terra continuam os mesmos; o que mudou foi o modelo de educação, do dharma para o adharma (a não-retidão ou aquilo que é contra o dharma). 
 
Rosana - Como é importante os bons sentimentos e os bons atos das mulheres. Eles tranformam circunstâncias, promovem o bom entendimento, conspiram a favor das melhorias. Os homens escutam, sim. Os homens ressoam melhor, quando as mulheres lhes inspiram de acordo às qualidades e às boas condutas. As mulheres dinamizam a paz social, a retidão, a compreensão das verdades da Realidade maior e o progresso.
 
Referem-se à educação de hoje como sendo vidya, mas isso é apenas uma maneira de chamá-la. Ela não merece esse nome se você considerar as ações presentes e as características pessoais das pessoas educadas. Uma pessoa educada deve ser capaz de assimilar a alegria interior do Atma, independentemente das circunstâncias externas; deve ter compreendido o sentido da existência - a pessoa deve estar consciente da disciplina exigida para a compreensão da Realidade. Nos velhos tempos, a Graça do Senhor era o Diploma que todo o estudante almejava conseguir. Aquele diploma era o prêmio para aqueles que se revelavam competentes em cultivar a moralidade, o conhecimento do Atma, a sublimação dos instintos, uma boa conduta, hábitos puros, controle dos sentidos e da mente, assim como o desenvolvimento das qualidades divinas. Hoje, todavia, as coisas são diferentes. Diplomas agora podem ser obtidos através do estudo com afinco de alguns poucos livros! Não é possível adquirir-se treinamento moral e espiritual através do ensino moderno.
 
A educação deve ser dada a todas as mulheres de uma maneira bem planejada. Ela deve ser capaz de entender os problemas de seu país, devendo retribuir a educação recebida e ajudar como puder, dentro dos limites de seus recursos e capacidades, o seu país, a comunidade e a família. Nenhuma nação pode ser construída com a exclusão da cultura de suas mulheres. A geração vindoura é moldada pelas mães de hoje; os homens desta geração estão cheios de adharma e injustiça, porque as mães que os criaram não foram suficientemente inteligentes e vigilantes. No entanto, o que passou passou. Para salvar ao menos a próxima geração, as mulheres devem ser advertidas a tempo e guiadas para tomarem as mulheres ancestrais como modelo. 
 
Para qualquer tempo, passado, presente ou futuro, a mulher é a espinha dorsal do progresso; o coração e o próprio alento da nação. Elas desempenham o papel principal aqui na Terra, um papel chave, pleno de santidade. A sua função é o estabelecimento dos princípios da correção e da moralidade. Elas devem prover treinamento moral e espiritual para as crianças. Quando a mãe está impregnada com o dharma, os filhos também se beneficiam e se tornam igualmente saturados. Quando ela é especialista em moralidade, as crianças aprendem a ter valores morais. Dessa forma, o nível de educação entre as mulheres decide se o país prosperará ou declinará. As suas ações e condutas são fatores cruciais. 
 
A responsabilidade dos mais velhos e dos pais é muito grande nesse caso. Tomemos os estudantes de hoje em dia. Neles não se observa nenhum traço de cultura. Assuntos espirituais e conversas sobre o Atma provocam risos neles! O domínio das palavras e uma escravidão ditada pelo costureiro ou alfaiate, tornaram-se a moda. Isso não é uma cultura genuína. A mulher educada de hoje é incompetente quando tem de administrar um lar. Esse lar para ela é apenas um hotel, onde ela se encontra totalmente dependente da cozinheira e da empregada doméstica. A mulher educada é apenas uma boneca pintada que decora o lar moderno; ela é uma desvantagem para o seu marido, um peso pendurado no seu pescoço. Ele é pressionado pelos insistentes pedidos dela para gastar o dinheiro em todo o tipo de objeto. Ela não participa das tarefas do lar e então, por simples preguiça e por comer e dormir sem praticar exercícios, acaba desenvolvendo uma doença que a leva rapidamente à morte. 
 
O comportamento desenfreado da mulher envolveu o mundo atual numa atmosfera de declínio do dharma. As mulheres estão se prejudicando ao correr atrás do prazer efêmero, independentemente da necessidade de desenvolver um bom caráter e qualidades elevadas. Elas estão apaixonadas pela pseudoliberdade que alimenta as suas vaidades. Conseguir garantir um emprego, ganhar diplomas, andar para lá e para cá com todo mundo sem distinção ou discernimento, desrespeitar os mais velhos e abandonar o temor com relação ao mal e ao pecado, fazer vista grossa às reivindicações das pessoas boas e santas, fazer o marido dançar conforme a sua música, negar um tributo à repetição de seus próprios erros, serão todos esses sinais de educação? Não, todos eles representam as formas monstruosas de avidya – a ignorância, as atitudes egoístas e mal-educadas que tornam uma pessoa feia e rejeitada. 
 
Caso a mulher sinta ser sagrado o lar de seu marido, esse próprio lar irá dotá-la de toda a habilidade e qualificação, não existindo para ela nenhum outro lugar melhor. Um lar como esse foi cantado por um santo poeta como sendo o templo, a escola, o parque de diversões, a arena política, o campo de sacrifício e o local de recolhimento da mulher. 
 
Rosana - A casa da gente é um lugar de fato especial. A gente se abastece de energia no recolhimento, nos estudos, nos escritos. Abastece a nossa força um lar sagrado e amoroso. Tudo acontece lá fora, e dentro aquela paz, aquela harmonia, aquele bem querer de todos os dias. Como gosto da minha casa! É a sensação de preenchimento e integração. A gente se sente à vontade de ser inteiro. A gente é educado em casa não por obrigação, mas por ser o amor que está no coração e nos gestos de carinho e diálogo. A mente descansa. Estar em casa em si é uma meditação para a mente. A mente estuda os textos e livros, a mente relaxa, o coração relaxa. É bom o relacionamento social, as amizades, as atividades fora de casa, os grupos.
 
Para quem chegou até aqui, que Deus proporcione a felicidade e o entendimento. 

 

 

 

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