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Num determinado momento do aqui e agora: a distinção entre o existente na nossa realidade; o possível de existir, caso se faça isto ou aquilo outro; e o inexistente. Saudável percepção, sem ilusões, inverdades e sofrimentos vãos. Uma verdade existencial: a realidade é mutável, impermanente, e depende de inúmeros fatores. O que não pode faltar em um caminho escolhido: amor e amor próprio.

 

  
 


 

 

 

Mandala da Liberdade

 


Mandala da Liberdade

Rosana Uchôa  

29/04/2015

Um pedaço não é o inteiro. O trecho de um livro pode ainda ter outro lado a ser visto, talvez o justo oposto, o inesperado. Uma parte do corpo não é o corpo inteiro. Qualquer pessoa não é um pedaço de corpo. Sempre há dados e pistas importantes com desfechos inclusive surpreendentes, se for o caso. O ódio e a inveja por alguém acabam sendo uma espécie de preconceito e também a falta de novas oportunidades circunstanciais que se dá ao destino. Quase ninguém conhece a verdade completa de alguma pessoa, em qualquer dos lados e posições focados pela luz que se tem e liga num dado sentido e momento. A gente se baseia nas experiências e emoções conhecidas, intensificadas por circunstâncias e participações pessoais atreladas algumas vezes a um ponto pendurado com nós. A gente amarra um nó qualquer, e depois para tirar? O problema não é propriamente ter uma emoção forte ruim, mas ficar preso a ela e repetir sem fim até não aguentar nunca mais, sendo forte o bastante para acabar com a gente. Uma reação espontânea numa dada circunstância pode ser libertadora sim. Já a raiva e até o ódio prolongado é para dar um fim à angústia, mas enquanto não chega o fim ele é requisitado mais vezes de formas estapafúrdias. O ódio, assim como a inveja, não é a pessoa retratada com os “restos” do que não se sabe sobre ela, contudo se pensa já saber e conhecer, já passado e ainda por passar, além do tempo presente e os seus limites razoáveis ao entendimento possível. A raiva e o adoro para si é por alguma coisa em específico, não mais. Ninguém conhece todo o sofrimento e as lutas alheias no meio de um caminho até chegar ali onde se quer ou se odeia passar de novo. Um título de livro não é o livro completo.  A compaixão permite ao menos compreender mesmo sem entender, inclusive serve para si mesmo. Quem não se perdoa e não vai adiante não consegue perdoar. Nesse caso, quem está preso afinal? A ofensa ou o ofendido?

Seria - por um lado - mais fácil se não existissem previamente sentimentos entranhados na gente para aflorarem de forma co-emergencial, atribuindo significados antigos às situações e identidades novas, acoplando um a um como se fosse um só conteúdo atual. Sem eles não haveria amadurecimento e a gente sempre estaria começando do zero. Não saberíamos nem falar, escrever palavras simples, ou lembrar quem é nossa mamãe e nosso papai. É quando há uma volta: o amor do passado, alguma rivalidade do passado sem solução, a exaustão das emoções pretéritas, enfim as histórias inacabadas que deixaram um rastro de fogo e tristeza, uma marcada cicatriz na face, na mente e no coração. É possível dissolver, mas não reprimindo para acreditar se cortar pela raiz. Diria, sim, mudar de nível, falar até não aguentar mais, revirar as palavras, escoar o tempo mediante o tempo, alterar a perspectiva e ter novos parâmetros para conclusões e emoções. É possível atribuir novos significados aos atributos, mas não impor por impor algum atributo privilegiado por ser mais certo ou espiritualmente o correto divulgado pelas religiões reconhecidas. A ideia é expandir a consciência e não abortar um emergir de dentro para fora tão necessário e normal. É possível aceitar e transcender. É possível treinar, exercitando um tanto de vezes e ir conseguindo entender o que era incompreensível sem isso. Aproximou-se de algo melhor. Todos nós aumentamos um ano de idade e gostamos de outras coisas após a infância, porque não se é mais o mesmo de antes. Passou. O tempo venceu o quase invencível talvez. Preferimos outras esferas. Primamos pela liberdade de escolha e expressão.

Pense, então, na forma de uma mandala: ela possui lados opostos e todos se unem ao redor do centro. Ela é a sua mandala! Não é a mandala de ninguém mais. Pode ser o Sistema Solar com os planetas girando ao redor do Sol, cada um ao seu devido tempo e ritmo. O caminho do meio disse Buda. As cordas de um instrumento não devem nem estar frouxas demais e nem apertadas demais para uma música se fazer perfeita. E por incrível que pareça faltava só isso para Buda chegar à iluminação, depois de tanto se equivocar durante anos com os excessos de privações. Foi o caminho Dele até o Nirvana. Assim somos nós: a gota d’ água que faltava para o copo transbordar seja para o que for. Apreciar a mandala de uma circunstância forte e mal resolvida para a gente é mais importante e no fundo verdadeiro que reprimir tendências simplesmente ou  tirar algo forte de dentro sem preencher com o que há de melhor no lugar. Também não é uma cadeira desocupada que precisa ser usada de qualquer maneira. Esse melhor a gente nem dava importância. Não percebia. Faltava um quê de observação e entrega. Havia só um vazio sem portas e janelas, enquanto a casa estava quase pronta. É possível criar espaços na mente e no coração e colocar o que não estava sendo valorizado e nem requisitado. Esses espaços são advindos do elemento Éter. Quando há ódio e inveja, estamos sendo indiferentes a um tanto de questões fora como dentro da gente. A gente não valoriza a si mesmo. A gente prefere não se dar conta do pior ou do melhor em tudo que há. Acostumamos como sempre foi. Nós nos acomodamos. A gente nem sabe o que grita. A gente ama e nem sabe disso.

A mandala da liberdade ela contém o amor que nem sabe disso.

A mandala da liberdade ela contém a expansão para além dos limites auto-impostos, agradáveis, desagradáveis, ou impositivos aos outros.

A mandala da liberdade ela geralmente não é toda conhecida e por isso a gente fere e se fere, querendo ou não.

A mandala da liberdade ela possui lados opostos e todos se unem ao redor do centro, onde Deus irradia amor, sabedoria e felicidade para todos os seres. Ela junta e rejunta. Separa e repara. Cada qual no seu lugar.

A mandala da liberdade ela é, na verdade, inexplorada, incompreendida. A mandala da liberdade não é fazer o que pretendem os desejos imediatos, e isso nem é mandala.

A mandala da liberdade ela é tão desejada quanto evitada, bem ou mal interpretada.

A mandala da liberdade é explorada geralmente pelos mesmos caminhos, sobrando pouco para ser diferente e criativa.

Para a mandala da liberdade o mundo não é grande o bastante e nem pequeno o suficiente para aprender mais e melhor.

Para a mandala da liberdade todo o passado é resignificado e, portanto, resignificador.  Cada um pode criar a sua mandala de liberdade, desde que permita o amor florescer e frutificar no coração. Não estamos sozinhos.

Na mandala da liberdade o vento passa, a transitoriedade é uma de suas vertentes e as experiências significativas permanecem para se ir adiante, mesmo quando ainda parecem sem sentido para a gente.

Na mandala da liberdade nos relacionamos com tantas outras pessoas e isso pode ser agradável ou muito doloroso. Não há como fugir de si mesmo, fugir de algo ou de alguém. A mandala da liberdade ela contém o amor que nem sabe disso.

A mandala da liberdade ela não se basta apenas. Ela passa adiante somente através do amor. Não há cópias nisso, porque coloca a sua parte. Ninguém faz igual. E receber com amor é uma forma de agradecer pelo que há de bom nisso tudo: a Dádiva.  

A mandala da liberdade ela não é indiferente e sem emoções como se fosse um robô sem graça.  Amor obviamente não é derivado da repressão. Li em livro espiritual que o amor é mais veloz que a velocidade da luz e permeia o Universo. O amor criou o Universo. A questão não é acreditar em Deus simplesmente, mas acreditar no Amor.

A mandala da liberdade ela interage e roda por meio do amor dos seres de amor. E para isso é preciso conhecer ao menos um fragmento de luz para entender. A mandala da liberdade ela contém o amor que nem sabe o quanto existe. Mandala se roda. É preciso estar disposto para encontrá-la, porque amor também dói e cura, por sua vez. E roda. Mertiolate é uma palavra interessante de escrever, falar, passar no algodão e nas feridas nossas e alheias. Sabe que tenho alergia a mertiolate? Fica pior ainda! Água boricada então posso usar. Ou se cria uma nova mandala colorida por alguma espécie de transbordamento do elemento Éter, o Espaço Celeste a permear o que há para vir a ser. Aleluia!

 

 

 

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