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Num determinado momento do aqui e agora: a distinção entre o existente na nossa realidade; o possível de existir, caso se faça isto ou aquilo outro; e o inexistente. Saudável percepção, sem ilusões, inverdades e sofrimentos vãos. Uma verdade existencial: a realidade é mutável, impermanente, e depende de inúmeros fatores. O que não pode faltar em um caminho escolhido: amor e amor próprio.

 

  
 


 

 

 

A Liberdade do Falcão

 

 

A LIBERDADE DO FALCÃO

18/05/2015

Rosana Uchôa

 

Ninguém pode libertá-lo, pois ninguém o prendeu.

O falcão é perseguido pelos corvos enquanto carrega o peixe em seu bico. Ele muda de direção, e gira no céu, tentando se desviar dos corvos, que procuram agarrar o peixe. Finalmente, ele deixa cair o peixe. Neste momento o falcão está livre, mas ainda não sabe disso.

O falcão decretou com firmeza do coração e da mente abandonar os apegos. Como por encanto, as mágoas não resistiram, mesmo as advindas de dolorosos e antigos sofrimentos, e não puderam mais atormentá-lo. O pássaro, a partir de então, passou a ter cuidado, inclusive para distinguir melhor os amigos e os supostos “inimigos” para não guardar mágoas sem sentido daqueles que o amam.

Nem por isso tornou-se ingênuo ou desprotegido. A atenção perceptiva redobrou, na verdade.

O falcão após descansar, subiu ao céu novamente, vendo a magia primordial em todos os seres e em todas as circunstâncias. Nunca mais foi o mesmo, porque nada era mais como antes. Ao redor tudo parecia certo exatamente como estava, antes mesmo de compreender por inteiro aquilo que não era dado a ele conhecer: um ponto azul do infinito. Por um instante nada precisava ser mudado e diferente para existir, e incluindo a si, permitiu-se ser. Simplesmente sabia assim.

Conseguiu manter-se no ar no mesmo lugar, bem mais tempo como de costume, antes de bater as asas novamente para longe. Havia uma força a mais. Pensou nos beija-flores.

Ele jamais se esqueceu deste dia maravilhoso, quando se entregou ao céu desconhecido pela primeira vez.  

 

 

 

 

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